CSN: após disparada da ação em 2020 e resultados recordes no último ano, analistas seguem com visão positiva para companhia

CSN: após disparada da ação em 2020 e resultados recordes no último ano, analistas seguem com visão positiva para companhia

Fevereiro 23, 2021 Não Por JB

Após a Usiminas (USIM5) inaugurar a temporada de resultados para siderúrgicas registrando bons números, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), empresa cuja ação foi a maior alta do Ibovespa em 2020 (veja mais clicando aqui), com ganhos de 126% no período, viu seu lucro líquido disparar para R$ 3,9 bilhões de reais no quarto trimestre de 2020, um salto em relação ao resultado de R$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2019, em meio a forte crescimento de receitas beneficiado pela alta de commodities e queda no endividamento. Vale destacar, contudo, que apesar dos bons resultados, a ação oscila entre leves perdas e ganhos nesta sessão, após abrir em alta de mais de 3%: às 11h35 (horário de Brasília), os ativos tinham leve queda de 0,92%, a R$ 35,45.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado triplicou para R$ 4,7 bilhões, recorde trimestral, com a margem Ebitda ajustado quase dobrando para 47%.

A receita líquida da CSN somou R$ 9,8 bilhões, elevação de 50% ano a ano, com a empresa atribuindo tal performance principalmente ao “ótimo desempenho nos segmentos de siderurgia e mineração, impulsionados pela alta global dos preços das commodities”.

No último trimestre do ano, as vendas de aço somaram 1,2 milhão de toneladas, contra 1,1 milhão de toneladas um ano antes, enquanto as vendas de minério de ferro totalizaram 8,6 milhões de toneladas, queda de 16% na base anual.

Já o custo dos produtos vendidos cresceu 26% e totalizou 5,6 bilhões de reais. O fluxo de caixa livre alcançou R$ 3,75 bilhões, influenciado positivamente pela recuperação no capital de giro e forte geração de Ebitda.

Segundo  a empresa, foram investidos R$ 519 milhões nos últimos três meses de 2020, em função da aceleração de diversos projetos de ‘sustaining’ na siderurgia.

No final de 2020, a dívida líquida atingiu R$ 25,619 bilhões, com a forte geração de caixa do período sendo somada ao decréscimo da dívida pela variação cambial, o que ajudou na redução da alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda que atingiu 2,23 vezes, o menor patamar desde dezembro de 2011.

Em fato relevante, a CSN estimou fechar 2021 com dívida líquida de R$ 15 bilhões e alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda de 1 vez.

De acordo com o Credit Suisse, a CSN divulgou um forte conjunto de resultados,  com o Ebitda ajustado superando as expectativas dos analistas em 12%, principalmente devido aos custos mais baixos do que o esperado na divisão de aço da CSN (8% abaixo do esperado pelos analistas) e preços realizados do aço mais altos (6% acima do esperado pelo Credit).

A performance forte também se deveu a preços mais altos do minério de ferro, parcialmente ofuscados por volumes menores devido a chuvas e a restrições ligadas à Covid.

Pelos cálculos do Credit, o fluxo líquido de caixa veio em R$ 3,5 bilhões, apoiado pelo Ebitda mais forte que, junto à valorização do real, reduziu a dívida líquida de R$ 30,6 bilhões no terceiro trimestre para R$ 25,6 bilhões no quarto trimestre.

Os analistas Caio Ribeiro e Gabriel Galvão possuem recomendação outperform (desempenho acima da média) para as ações CSNA3, com preço-alvo de R$ 53; o banco acredita que os preços do minério continuarão fortes em 2021, acima de US$ 100 por tonelada e avalia que uma demanda maior no mercado nos próximos trimestres deve continuar a impulsionar o balanço.

A Levante Ideias de Investimentos, por sua vez, apontou que a CSN se beneficiou de uma combinação de fatores ao longo de 2020 que permitiu à companhia reduzir seu alto grau de endividamento líquido, gerando resultados recordes em todos os segmentos. A construção civil em ritmo forte (aço longo e cimento), China acelerando o programa de expansão de infraestrutura (alta dos preços de minério de ferro) e a indústria nacional em recomposição de estoque forte de maquinários e veículos, ajudando a puxar a demanda pelo aço plano, sendo possível repassar grande parte dos aumentos de preços pela CSN ao mercado.

“Enxergamos um impacto positivo no preço das ações da companhia no curto prazo, assim como para as demais empresas do setor que ainda não divulgaram os resultados deste último trimestre”, apontam os analistas.

Segundo eles, a demanda por aço deverá continuar forte no país, com as siderúrgicas religando alguns de seus altos-fornos como principal indicador dessa expectativa. Essa demanda deve sustentar os preços do aço no mercado interno, ajudando os preços a acompanharem a alta da cotação do aço no mercado internacional, além do câmbio que continua em patamares altos, beneficiando a geração de caixa do segmento de siderurgia e exportação de minério de ferro.

Na China, houve um arrefecimento temporário do consumo de minério de ferro e consequentemente nos preços no começo deste ano de 2021, devido ao inverno rigoroso nas principais regiões industriais do país, além do ano novo lunar, que paralisa as atividades por lá durante 2 semanas em fevereiro, aponta a Levante. Contudo, as atividades já retomaram por lá, tirando qualquer suspeita de esfriamento da demanda por minério de ferro, com os preços retornando acima dos US$ 170 por tonelada, após ficar ligeiramente abaixo dos US$ 150 no final de janeiro.

A construção civil no Brasil, apontam os analistas, também segue em ritmo forte de obras, com volume de lançamentos em altos níveis, anunciados pelas principais construtoras, que deve seguir puxando a demanda pelo cimento no ano de 2021.

Eles apontam ainda que um bônus positivo para a CSN foi a abertura de capital bem-sucedida de seu braço de mineração (CMIN3) recentemente, que levantou cerca de R$ 2,78 bilhões para o caixa da controladora, reduzindo ainda mais a alavancagem da empresa.

“Além disso a estreia em alta da CMIN3 na bolsa, deixa o braço de mineração com valor de mercado acima da CSN consolidada, indicando ainda uma assimetria na precificação das ações, que ainda detém mais de 70% de participação na sua subsidiária de mineração”, avaliam.

Com isso, eles avaliam que “tudo aponta para mais um ano de resultados recordes para a CSN, agora com alavancagem controlada e operação mais eficiente, preparada para capturar a alta demanda e forte patamar de preços de seus principais produtos”.

Cabe destacar que a CSN Mineração também divulgou seus números, tendo lucro de R$ 1,34 bilhão no quarto trimestre de 2020, alta de 88,5% ante o resultado do mesmo período do ano anterior. A receita líquida, por sua vez, subiu 53%, a R$ 4,85 bilhões. O Ebitda foi a R$ 2,98 bilhões, 146% acima do registrado um ano antes. O número, segundo a CSN Mineração, é um recorde trimestral, em meio ao aumento do preço do minério.

De 5 casas que cobrem a ação da CSN, segundo dados da Refinitiv, enquanto 3 têm recomendação de compra, 2 recomendam manutenção.

(Com Reuters)

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